Salada de Frutas com sabor amargo

"Há cerca de dois meses, o Supremo Tribunal de Justiça considerou lícito e adequado o comportamento de uma responsável por um lar de crianças deficientes mentais, acusada de maus tratos a vários menores. No douto acórdão então exarado, podiam encontrar-se pérolas como estas: "Qual é o bom pai de família que, por uma ou duas vezes, não dá palmadas no rabo dum filho que se recusa a ir para a escola, que não dá uma bofetada a um filho ou que não manda um filho de castigo para o quarto quando ele não quer comer?"
"Muitos menores recusam alguma vez a escola e esta tem, pela sua primacial importância, que ser imposta com alguma veemência. Claro que, se se tratar de fobia escolar reiterada, será aconselhável indagar os motivos e até o aconselhamento por profissionais. Mas, perante uma ou duas recusas, umas palmadas (sempre moderadas) no rabo fazem parte da educação." Mas a mãozinha leve dos supremos magistrados não se pouparia à explanação pedagógica das virtudes das palmadas no rabo com moderação:
"Na educação do ser humano justifica-se uma correcção moderada que pode incluir alguns castigos corporais ou outros. Será utópico pensar o contrário e cremos bem que estão postas de parte, no plano científico, as teorias que defendem a abstenção total deste tipo de castigos moderados." Pormenor decerto irrelevante: as crianças concretas que tinham sido molestadas são deficientes mentais e não consta que fossem tratadas com... moderação.
continua in
http://dn.sapo.pt/2006/05/31/opiniao/das_palmadas_rabo_apito_dourado.htmlOpinião:
Na minha modesta opinião, não fez justiça o Dr. Vicente Jorge Silva ao vir cozinhar uma enorme salada de frutas sem obedecer a uma das principais regras do direito: “ cada caso é um caso”. Interpreto este apanhado de decisões judiciais como uma óbvia descredibilização, sensacionalista, de toda a Justiça, baseado em algumas decisões que os jornais mediatizaram, situação que é inadmissível.
Da mesma forma não pode nenhum operador judicial vir condenar o jornalismo actual fundamentando-se em meia dúzia de artigos publicados quando, tal como nos tribunais, são milhares os artigos(decisões) publicados por dia.
Facto é que a justiça não é perfeita e, tal como o jornalismo, deve procurar sempre o seu aperfeiçoamento, mas é prepotente uma afirmação efectuada em modos gerais, porquanto desrespeita todos os operadores judiciais, a qual passo a citar:
“Aqui, porém, já passamos da farsa à tragédia. É que não há Estado democrático digno desse nome com uma justiça que não inspira respeito, não merece credibilidade e corre agora o risco de prestar-se à gargalhada nacional. Será esse o modelo que Alberto João Jardim não desdenharia importar para a Madeira?”
Admito que existem decisões judiciais que colocam qualquer um de nós a reflectir sobre a justiça da mesma, mas nunca, sob pena de colocar em causa todos os valores que sustentam a Justiça em Portugal!!!
Deve o Dr. Vicente Jorge Silva efectuar leituras de acórdãos menos mediáticos, de igual forma superiormente elaborados e, tirará outras conclusões.
Quanto a mim vou ver se leio algo “doce” para tirar o sabor amargo com que fiquei…
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